domingo, 14 de fevereiro de 2010

AINDA TENTANDO ENTENDER AS DIFERENÇAS ENTRE AMOR E PAIXÃO

Já mencionei em outra postagem o livro AS CINCO LINGUAGENS DO AMOR.
Vamos retomar um trecho do capítulo inicial, no qual o autor fala sobre a paixão e o amor.


Estar apaixonado (a) é uma experiência eufórica. Um fica emocionalmente obcecado pelo outro. Dor­me-se pensando nele (nela). Levanta-se e aquela pessoa é a primeira coisa que nos vem à mente. Ansiamos por estar jun­tos. Gastar tempo um com o outro é como estar na antecâmara do céu. Quando andamos de mãos dadas, é como se nossos corações batessem no mesmo compasso. Beijaríamos um ao outro para sempre, se não tivéssemos de ir à escola ou ao trabalho. O abraçar estimula sonhos de casamento e êxtase. O rapaz apaixonado tem a ilusão de que sua amada é perfeita...
Somos levados a acreditar que, se realmente estivermos apaixonados, esse amor durará para sempre. Os maravilho­sos sentimentos dos quais partilhamos no momento nos acompanharão até o fim de nossas vidas. Nada se interporá entre nós. Estamos enamorados e aprisionados pela beleza e charme da personalidade um do outro. Nosso amor é a me­lhor coisa da qual já desfrutamos. Notamos que alguns ca­sais chegaram a perder esse sentimento, mas isso nunca acon­tecerá conosco. Fazemos, portanto, a seguinte colocação: “É possível que eles nunca tenham sentido um amor verdadeiro como o nosso!”
Infelizmente, a eternidade da paixão é uma ficção e não um fato. A psicóloga Dorothy Tennov desenvolveu longos estudos sobre este fenômeno. Após estudar os comportamen­tos entre os casais, ela concluiu que o tempo médio de exten­são da obsessão romântica é de dois anos. Se a paixão foi um fruto proibido, talvez dure um pouco mais. Eventualmente, todos nós descemos das nuvens e pisamos com nossos pés em terra novamente. Nossos olhos abrem-se e passamos a enxergar as “verrugas” da outra pessoa. Descobrimos que alguns de seus traços de personalidade são realmente irri­tantes. Seus padrões de comportamento aborrecem-nos. Pos­suem também capacidade para machucar e irar-se, e utili­zam também palavras duras e julgamentos críticos. Esses tra­ços que não percebemos quando estávamos apaixonados tornam-se agora enormes montanhas. Então nos recordamos das palavras ditas por nossa mãe e perguntamos a nós mes­mos: “Como pude ser tão tolo?”
Bem-vindos ao mundo real do casamento, onde fios de cabelo sempre estarão na pia e respingos brancos da pasta de dente estarão no espelho; discussões ocorrem por causa do lado de se colocar o papel higiênico: se a folha deve ser puxada por baixo ou por cima. E um mundo onde os sapa­tos não andam até o guarda-roupa e as gavetas não fecham sozinhas; os casacos não gostam de cabides e pés de meia somem quando vão para a máquina de lavar. Nesse mundo, um olhar pode machucar, uma palavra pode quebrar. Aman­tes podem tornar-se inimigos e o casamento um campo de batalha sem trégua.
O que aconteceu com a paixão? Que coisa! Foi uma ilu­são que nos enganou e levou-nos a assinar nossos nomes na linha pontilhada... na alegria e na tristeza. Não é de se admi­rar que tantos amaldiçoem o casamento e o ex-cônjuge, a quem um dia amaram. Além disso, se fomos enganados, te­mos o direito de ficar bravos. Será que foi realmente amor? Acho que sim. O problema é que houve falta de informação... A experiência da paixão não possui enfoque em nosso próprio crescimento, nem no crescimento e desenvolvimento do cônjuge. Dificilmente também fornece o senso de realização.
Alguns pesquisadores, entre eles o psiquiatra M. Scott Peck e a psicóloga Dorothy Tennov, chegaram à conclusão de que a experiência da paixão não deveria, de forma algu­ma, ser chamada de amor. Dr. Peck concluiu que o apaixo­nar-se não é amor verdadeiro, por três razões: Primeira, apaixonar-se não é um ato da vontade nem uma escolha consciente. Não importa o quanto desejemos, não con­seguimos apaixonar-nos voluntariamente. Por outro lado, mes­mo que não busquemos essa experiência, ela pode, simples­mente, acontecer em nossa vida. Muitas vezes apaixonamo-nos no momento errado e pela pessoa errada!
Segunda, apaixonar-se não é amor verdadeiro porque não implica em nenhuma participação de nossa parte. Qualquer coisa que façamos apaixonados, requererá pouca disciplina e esforço. Os longos e dispendiosos telefonemas realizados, o di­nheiro gasto em viagem para ficarmos juntos, os presentes, e todo trabalho envolvido, nada representam. Da mesma forma que os pássaros constroem instintivamente seus ninhos, a na­tureza da pessoa apaixonada impulsiona na realização de atos inusitados e não naturais, de um para com o outro.
Terceira, a pessoa apaixonada não está genuinamente in­teressada em incentivar o crescimento pessoal daquela por quem nutre sua paixão. “Se temos algum propósito em mente ao nos apaixonarmos, é o de terminar nossa própria solidão e, talvez, assegurar essa solução através do casamento”. A paixão não se focaliza em nosso crescimento pessoal e nem tampouco no da outra pessoa amada. Pelo contrário, a sensação é a de que já se chegou onde se deveria alcançar e não é necessário crescer mais. Encontramo-nos no ápice da felicidade e nosso único de­sejo é continuar lá. E nosso (a) amado (a), naturalmente, tam­bém não precisa mais crescer, pois já é perfeito (a). Esperamos somente que ele (ela) mantenha essa perfeição.
Se apaixonar-se não é amor, então o que é? Dr. Peck afirma: “E um componente instintivo e geneticamente de­terminado do comportamento de acasalamento. Em outras palavras, um colapso temporário das reservas do ego que constituem o apaixonar-se; é uma reação estereotipada do ser humano a uma configuração de tendências sexuais inter­nas e estimulações sexuais externas, as quais designam-se ao crescimento da probabilidade da união e elo sexual, ten­do em vista a perpetuação da espécie”.
Quer concordemos ou não com essa conclusão, os que dentre nós se apaixonaram e também saíram desse estado de paixão, concluirão que essa experiência arremessa-nos a uma órbita emocional diferente de qualquer outra que porventura experimentamos. A tendência é o rompimento com a nossa razão, o que nos leva a fazer e a dizer coisas que nunca faríamos, ou diríamos em momentos de maior sobrie­dade. De fato, quando saímos desse estado de paixão, ques­tionamos como pudemos ter feito tais coisas. Quando a onda da emoção passa e voltamos ao mundo real, onde as diferen­ças são notórias, quantos de nós fizeram para si a pergunta: “Por que me casei? Não combinamos em nada!” No entan­to, quando estávamos no auge da paixão, pensávamos que com­binávamos em tudo — pelo menos, em tudo que era importante. Isso significa que, por termos sido “fisgados” dentro da ilusão da paixão, encontramo-nos agora frente a duas opções: 1 — estamos destinados a uma vida miserável com nosso cônju­ge, ou 2 — devemos nos separar e tentar novamente? Nossa geração tem optado pela última decisão, ao passo que a anteri­or escolheu a primeira. Antes de concluirmos automaticamen­te o fato de que fizemos a melhor escolha, devemos examinar os dados. Atualmente, 40% dos primeiros casamentos, nos Es­tados Unidos, terminam em divórcio; 60% dos segundos e 75% dos terceiros, também. Pelo que se pode ver, a perspectiva de um segundo e terceiro casamentos felizes, não é muito atingi­da.
As pesquisas realizadas parecem indicar que existe uma terceira e melhor alternativa: reconhecer que a paixão é o que é — um pico emocional temporário — e então desenvol­ver o amor verdadeiro com nosso cônjuge. Esse tipo de sen­timento é de natureza emocional, mas não obsessivo. É o amor que une razão e emoção. Envolve um ato da vontade e re­quer disciplina, pois reconhece a necessidade de um cresci­mento pessoal. Nossa necessidade emocional básica não é apaixonar-se, mas ser genuinamente amado (a) pelo outro; é conhecer o amor que cresce com base na razão e na escolha e não no instinto. Preciso ser amado por alguém que escolheu me amar, que vê em mim algo digno de ser amado...
Amor racional, volitivo é o tipo de amor para o qual os sábios nos conclamam.
Essa é uma boa notícia aos casais que perderam seus sentimentos de paixão. Se o amor é uma opção, então eles possuem a capacidade de amar após a experiência da paixão haver passado e regressarem ao mundo real. Esse tipo de amor inicia-se com uma atitude — o modo de pensar. Amor é a atitude que diz: “Sou casado (a) com você e escolho lutar pelos seus interesses!” Então, os que optam por amar encontrarão formas apropriadas para demonstrar essa decisão.
Alguém pode comentar: “Isso parece tão estéril! Amor como uma atitude e com um comportamento apropriado? Onde estão as estrelas cadentes e as fortes emoções? Onde ficam a ansiedade do encontro, a piscada de olho, a eletricidade do bei­jo e o entusiasmo do sexo? E a segurança emocional de se saber que ocupamos o primeiro lugar na mente da outra pessoa?”

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

OBRIGADA POR TUDO

Abaixo está o e-mail enviado por uma amiga ao homem pelo qual foi apaixonada por quase dois anos. Na minha opinião, o texto deveria virar cartão de término de relacionamento .... acho que ia vender igual água:

"Querido,
Obrigada por tudo
Obrigada por me fazer mulher na cama, por me satisfazer como nunca tinha acontecido ... isto me fez retomar minha auto-estima, me sentir mulher novamente, me apaixonar novamente.
Obrigada por, desde o início, deixar claro suas prioridades ... isto me instigou a querer mais, a ver até onde eu conseguiria ir para ganhar importância.
Obrigada por dizer que me amava ... me deu a falsa sensação de estar ganhando terreno, de vislumbrar um futuro.
Obrigada por ser um grande covarde .... fez com que eu também me acorvadasse e não fizesse as loucuras que pretendia fazer,
Obrigada por fazer seus joguinhos .... apimentou o sexo e me fez sentir mais prazer, muito mais prazer.
Obrigada por me mostrar meu lugar, por me deixar esperando e não aparecer .... me fez ver que há um limite das coisas que se pode fazer em nome de uma paixão.
Obrigada por me humilhar, por me menosprezar, por me deixar excitada e sumir .... me fez relembrar que ninguém pode desejar alguém que não se dá o devido valor.
Obrigada por deixar de me desejar .... tornou mais fácil constatar que não há mais nada que nos une.
Obrigada por me decepcionar profundamente ..... me fez ver que chegamos ao limite .... acabou .... nem mesmo a amizade foi preservada ..... cada um seguindo sua vida.
Obrigada por tudo e seja feliz.
Te agradeço também por antecedência o fato de vc nunca, nunca mais me procurar"

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ANJO DA GUARDA QUE NADA!!!!!

Esta minha amiga é ótima.... O marido dela parece que tem mel.... a mulherada vive dando em cima dele. Ao saber que uma conhecida estava sendo atenciosa demais, preocupada demais e grudenta demais, ela mandou uma e-mail pra ela agradecendo sua "boa vontade". Confiram o trecho abaixo:
"Oi Fulana, Tudo bem com você? Tenho acompanhado pelo XXX que você é uma espécie de "anjo da guarda" dele, escoltando-o por toda parte. Que bom poder contar com amizades assim!!!
Ra, ra, ra .... Tomô bruaca? Vai cuidar do que é teu, não do que pertence a outra!!!!!!!!!!!!

"O PAU"

Desde que descobri que a Fernanda Young era uma das autoras da série “Os Normais”, que eu adoooooro, passei a admirar seu trabalho e querer saber mais sobre ela. Na verdade, só vim a ‘conhecê-la’ melhor quando virou apresentadora de um programa de entrevistas do GNT. Acho ela uma louca, mas genial. Irreverente, cheia de tatuagens, cheia de questionamentos, e alguém que não está nem aí pra opinião dos outros, já que ela é totalmente fora dos padrões. Recentemente, ela lançou mais um livro (pretendo comprar todos, me parece que ela já escreveu uns 6), chamado “O Pau”. É sobre o pau mesmo, aquele órgão sexual masculino, que alguns homens acham que foi feito pra meter em qualquer buraco, em nome do qual eles nos traem, nos magoam, e parece que alguns homens o utilizam para pensar (instinto), ao invés do cérebro, que foi feito pra isso. Claro que nós, mulheres com mais de 30, também sabemos das ‘delícias’ que um pau é capaz de proporcionar. Enfim, o livro é um romance, que conta a história de uma mulher que, traída, pensa em se vingar do namorado, deixando-o ‘brocha’ (maior terror masculino) para sempre. Eu adorei e recomendo. E deixo aqui um trechinho para vocês:

 (Isto é um pescoço, viu??? Não maliciem...)
“Endurecer ou não endurecer, eis a questão, falando mais francamente do que Shakespeare. Que, aliás, chamava seu pau de “flecha do amor”... olha que cafonice. O maior gênio da humanidade em todos os tempos chamava o pau de “flecha do amor”. Amor não tem nada a ver com pau, nem pau tem nada a ver com amor. Dificilmente, só mesmo por coincidência, acontece de pau e amor concordarem sob algum aspecto. Então, tiremos o amor da questão. Estamos falando do pau, sozinho. O pau no centro de tudo. O pau como fator determinante de todas as suas ações. Será que isso tem algum sentido? Será que não é hora de o homem começar a ver seu pau do tamanho que ele é? Ainda mais sendo ele, mesmo naquela sua insignificância, o grande responsável por todas as merdas que vocês fazem na vida? Abaixo essa ditadura. Paus sempre me lembraram o Hitler... agora entendo a profundidade desse lapso. Aqueles alemães todos, enormes, louros, fortes, desfilando em homenagem àquele nanico, de topete e bigodinho. Todo nervosinho. É exatamente igual. Exatamente igual ao que vocês, homens, fazem com seus paus. Vocês obedecem a eles como cachorrinhos amedrontados. Por que esse temor todo? Vocês têm medo que o pau fique puto e vá embora? Esposas ficam putas e vão embora, e vocês nem ligam. Vocês até preferem. Mas paus, “pelo amor de Deus, fiquem”. “Sem vocês nós não somos nada nem ninguém”. “Sem vocês ficando duros, ficamos sem saber para onde ir”. Os homens precisam buscar outros instintos para seguir, outros reflexos”...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

SOU A DONA DO MEU DESTINO

Hoje, só queria deixar pra vocês uma frase que vi no novo filme do Morgan Freeman - "Invictus", em que ele faz o papel do Nelson Mandela e com o qual ele está concorrendo merecidamente ao Oscar de melhor ator este ano. Diz muito sobre o momento que estou vivendo...
"Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma". (Nelson Mandela)

SÓ O AMOR NÃO BASTA

Outro dia, uma amiga me falou que a maturidade nos traz uma certeza: que só o amor não basta. Isso ficou na minha cabeça e lembrei de já ter lido um texto sobre isso. Procurei e encontrei. Eu acho um dos melhores textos que já li, e realmente ela está certa: SÓ O AMOR NÃO BASTA!

SÓ O AMOR NÃO BASTA (ou EU TE AMO NÃO DIZ TUDO)
Aos que não casaram,
Aos que vão casar,
Aos que acabaram de casar,                                                 
Aos que pensam em se separar,
Aos que acabaram de se separar.
Aos que pensam em voltar...

Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja.
O AMOR É ÚNICO, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.
A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, A SEDUÇÃO tem que ser ininterrupta...
Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança, acabamos por sepultar uma relação que poderia SER ETERNA.
Casaram. Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes, nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, RESPEITO. Agressões zero.
Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência... Amor só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura, para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver BOM HUMOR para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar.
Amar só é pouco.
Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas para pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.
Entre casais que se unem , visando à longevidade do matrimônio, tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um. Tem que haver confiança. Certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão.
E que amar "solamente", não basta. Entre homens e mulheres que acham que O AMOR É SÓ POESIA, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.
O amor é grande, mas não são dois.
Tem que saber se aquele amor faz bem ou não, se não fizer bem, não é amor. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.
O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
Um bom Amor aos que já tem!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!

Artur da Távola                                   

sábado, 6 de fevereiro de 2010

FUTILIDADE E UM HOMEM QUE ME SUSTENTE

Não dá pra acreditar que ainda tem mulher procurando um homem que a sustente.
Esta vida é muito engraçada as vezes.... creio que, inconscientemente, minha mãe tentou me criar pra ser uma mulher sustentada pelo marido ... uma mulher com uma certa futilidade ... preocupação com o corpo, com roupas, assim por diante.... não deu muito certo comigo. 
Por outro lado, apesar do meu pai sempre ter podado as iniciativas de evolução da minha mãe no campo profissional, foi ferrenho em relação a educação formal das filhas e a inserção no campo do trabalho .... exemplo disto, foi que o primeiro curso de informática  na minha cidade ocorreu quando eu tinha 13 anos, ele foi lá, fez minha matrícula ... cheguei lá e era a única menina no meio de alguns marmanjos.... é... meu pai me criou pra ser uma mulher independente ....  comecei a trabalhar muito cedo, com 18 anos já estava na faculdade e ganhava um salário com o qual poderia me sustentar... cansei de ficar batendo boca com meus pais sobre onde ir e que horas voltar ...saí de casa e fui morar com algumas amigas.
A única coisa que sinto é que não me dei a oportunidade de ser fútil.... sabe .... aquela coisa de ir ao shopping gastar mais do que pode no cartão do pai ou do marido.... academia no meio da tarde ... pé e mão toda semana .... comprar aquela bolsa de 800 reais e dar um sorrisinho dizendo que foi só uma vez na vida....criar um blog com as amigas e escrever sobre as dificuldades de ser mulher!!!!
Tenho uma amiga que diz que deveríamos ser mais fúteis .... somos sérias demais, estudiosas demais, devotadas demais .... concordo com ela, a futilidade tem seus benefícios.
Muitas das mulheres que eu conheço dizem que o certo seria trabalhar por hobby, que o marido deveria ter o papel principal, algumas dizem que não queriam fazer nada além de cuidar dos filhos e de si mesma e gastar o dinheirão do marido, claro.
Pessoalmente, creio que o relacionamento homem/mulher seja pra criar uma vida juntos ... os dois lutando, enfrentando o mercado de trabalho, se virando pra conquistar coisas que os dois sentem que pertecem a ambos.... comprar um carro juntos, decidindo o valor das parcelas do financiamento ..... mandar o arquiteto fazer uma novo projeto pra sala de estar e jantar.... ficar enforcado pra pagar, mas depois da reforma, entrar na sua sala e dizer... que legal... me sinto bem aqui... nós conquistamos isto. Pode até ter contas bancárias separadas, o importante é tomar a maior parte das decisões finaceiras em conjunto e ter um pequeno espaço pra tomar decisões por si mesma... tipo, comprar um vestido e um par de sapatos sem ter que ficar perguntando pro marido.
É óbvio que, se uma das partes tiver uma proposta de trabalho muito boa, que cobre as duas partes, não vejo porquê ficar dando murro em ponta de faca.... acho que um pode ceder temporariamente para que o outro se desenvolva ... mas tem que ter o sentimento de que o que se ganha... pertençe aos dois.
Foi isto que aconteceu comigo no último ano ... tive que retroceder profissionalmente porque meu marido teve uma oferta muita boa.... logo eu que detesta ficar em casa, cozinhar, que trabalhava quase três períodos e que nunca pedi pra ser fútil. Bom, minhas amigas ficaram putas ... logo você, que adora trabalhar!!!!!! elas dariam tudo pra não ter que dar duro como dão. 
Bom, Deus escreve certo por linhas tortas .... estou encarando este tempo como um intervalo .... um tempo pra realmente cuidar do meu filho (sempre deleguei demais) e poder escrever minha tese com sossego (não de madrugada, caindo de sono e cansaço).
Por fim concluo o óbvio.... nem 8, nem 80 ....  nem totalmente fútil, nem totalmente devotada ao trabalho .... nem sutentando, nem sendo sustentada.... apenas FELIZ, apenas conquistando, apenas vivendo.

GRITO DE ALERTA

omo as músicas falam em nós... Quando uma amiga me mandou esta música, mal sabia ela que o copo já tinha entornado. Eu sabia que íamos nos encontrar pessoalmente e preferi não falar pra ela por email. É... ele não entendeu o meu grito de alerta. O meu lado carente falou alto, mas a minha vontade de viver uma vida de verdade, de não 'perder' mais tempo numa relação fadada ao insucesso gritou ainda mais alto. Juntei minhas coisas e fui embora. Doeu, tá doendo, mas a vida segue e eu tô pronta pra seguir em frente e nunca me permito viver pela metade! Com vcs, Maria Bethânia, composição de Gonzaguinha...

GRITO DE ALERTA
Primeiro você me azucrina
Me entorta a cabeça
e me bota na boca
um gosto amargo de fel

Depois vem chorando desculpas
assim meio pedindo
querendo ganhar
um bocado de mel

Não vê que então eu me rasgo
engasgo, engulo
reflito e estendo a mão
E assim nossa vida
é um rio secando
as pedras cortando
eu vou perguntando
até quando?

São tantas coisinhas miúdas
roendo, comendo
arrasando aos poucos
com o nosso ideal
São frases perdidas num mundo
de gritos e gestos
num jogo de culpa
que faz tanto mal

Não quero a razão pois eu sei
o quanto estou errada
e o quanto já fiz destruir

Só sinto no ar o momento
em que o copo está cheio
e que já não dá mais pra engolir

Veja bem, nosso caso é uma porta entreaberta
Eu busquei a palavra mais certa
Vê se entende o meu grito de alerta

Veja bem
É o amor agitando meu coração
Há um lado carente dizendo que sim
E essa vida da gente gritando que não

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

MASTURBAÇÃO!

Não sei o que me deu...Mas, lembrei desse poema que diga-se de passagem maravilhoso....Simplesmente adoro...

Masturbação

Eis o centro do corpo
o nosso centro
onde os dedos escorregam devagar
e logo tornam onde nesse
centro
os dedos esfregam – correm
e voltam sem cessar
e então são os meus
já os teus dedos
e são meus dedos
já a tua boca
que vai sorvendo os lábios
dessa boca
que manipulo – conduzo
pensando em tua boca
Ardência funda
planta em movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde

E todo o corpo
é esse movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde
E todo o corpo
é esse movimento
em torno
em volta
no centro desses lábios
que a febre toma
engrossa
e vai cedendo a pouco e pouco
nos dedos e na palma
                                                                 Maria Teresa Horta

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Deleite!!! e BlaBlaBla

Bom, sei que o título é um tanto quanto sugestivo...afinal prazer suave e prolongado....portanto, podendo ser tanto moral como físico. E foi isso que senti na tarde de hoje, prazer em estar em boa companhia, como é bom ter amigas...principalmente, as que se preocupam como você está e ainda ri junto com você de uma situação que está passando, que posso dizer nada agradável...rsrsrs.. (adagas) E mesmo, assim, escuta na maior paciência do mundo, fazendo piada...lógico, porque quando nos juntamos...fazemos piadas de tudo...até mesmo da infelicidade das situações.
Posso dizer que o dia hoje teve uma pitada diferente...rsrs..e como (eu estava precisando muito disso!), saí para almoçar com uma amiga no shopping, acho que ficamos lá por umas duas horas, andando, rindo da vida, e comentando a tal infelicidade...que me azucrina...AFFF
Voltei para casa, e não tem como, to precisando me concentrar em outra coisa.Penso e me conflito o tempo todo...Eis que o telefone toca, e  uma amiga muito querida dizendo que passava em casa para irmos a Cartomante..rsrs...Mantemos o PACTO fielmente, sei que muitos irão pensar  "coisa mais sem nexo, mulheres bonitas, inteligentes, confiantes e na cartomante??" Eu respondo, sim na Cartomante SIM, como já disseram na frase acima somos mulheres, e na maioria das vezes movidas a curiosidades...rsrs...Adoramos saber o futuro....Quando ouvi a palavra Cartomante, tirei o meu jeans suado, afinal o calor aqui está de amargar..AFFF...corri para tomar uma ducha fria e colocar uma roupa mais leve de acordo com a ocasião...BATA E BERMUDÃO..srs..ADoRo!
Buzina...chegaram!
Saí "ligeirinha" de casa, abri o portão abracei essa minha amiga que já não via há meses...Entramos no carro e nos dirigimos ao local tão aguardado.
Não é à toa que dizem que a tal da ansiedade atrapalha tudo...Eu mega ansiosa para fazer algumas perguntas, essa cartomante é uma graça sempre abre o baralho para matar minha curiosidade...rsrs..Porém, ficamos paradas com cara de TACHO na frente da casa da mulher a mesma não se encontrava em casa, e, pediu para mudarmos o dia da consulta.
Resolvemos então tomar um suco, sentamos e ficamos jogando conversa fiada e falando do assunto lógico..rsrs
Saímos do local...e casa da outra amiga...A maluquete...pessoa maravilhosa e tá linda grávida, amanhã ela muda de cidade e começa vida nova, e tudo já deu certo!
Lanche, e demos início ao momento besteirol ..lógico várias risadas.
Mas, to aqui postando hoje para dizer que quem tem amigos tem TUDO!
Te escuta, te faz rir, te dá broncas e participam da sua vida consciente e inconscientemente...Obrigada a cada uma de vocês que me fizeram "deleitar" no dia de hoje!

CAFAJESTE!!!!

Pessoal, não estava acompanhando a novela das 9 da Globo, mas estes dias estava em casa, clicando no controle e vi a cena do José Mayer com a Giovanna Antonelli.... Caramba!!!!!!!!!!! Ele agarrando e depois correndo atrás dela, dizendo que ia bater nela, jogar ela na cama e ela gritando... CAFAJESTE!!!! Fiquei indignada.... muito indignada ... de não ser a Giovanna naquele momento (a propósito, o cabela dela está lindo).  
Cafajestes!!!! Sejamos sinceras.... toda mulher gosta de um cafajeste .....Ignorando as definições dos dicionários, vou dar minha definição de cafajeste a partir dos personagens de José Mayer em novelas do Manoel Carlos .... homem maduro, bom de cama, tarado, safado, traidor, que enlouquece e manipula as mulheres e não tem medo de dar uns tapas na cara.... AI QUE DELÍCIA!!!! Fala sério .... não é homem pra casar, mas com certeza é homem pra transar.
Em um outro dia, meu marido comentou que achava ridículo o José Mayer e o Antônio Fagundes serem os galãs das novelas estando tão velhos.... Bom, eu não disse nada... só fiz uma cara como quem diz "Pois é." Realmente o ditado popular está certo: A IGNORÂNCIA É UMA DÁDIVA.
Como não podia faltar, segue a trilha sonora de um bom cafajeste:

Eu te avisei (João Bosco e Vinícius)

Não era pra você se apaixonar
Era só pra gente ficar,
Eu te avisei
Meu bem eu te avisei.
Você sabia que eu era assim
Paixão de uma noite
Que logo tem fim
Eu te falei
Meu bem eu te falei
Não vai ser tão fácil assim você me ter nas mãos
Logo você que era acostumada a brincar com outro coração
Não venha me perguntar
Qual a melhor saída
Eu sofri muito por amor
Agora eu vou curtir a vida
Chora, me liga
Implora o meu beijo de novo
Me pede socorro
Quem sabe eu vou te salvar
Chora, me liga
Implora pelo meu amor
Pede por favor
Quem sabe um dia eu volto a te procurar

OS HOMENS E OS ANIMAIS

Do alto de minha solteirice e dos meus quase 42 anos, quando falo em relacionamento homem-mulher, acho que já vivi de tudo um pouquinho: amores platônicos, amores explosivos, amores calmos e tranqüilos, amores correspondidos, não correspondidos, amores virtuais e paixões!!! Fui amada, mas também desamada, enganada, iludida e traída... e percebi que em muitas dessas experiências, EU fui sabotadora dos relacionamentos. Sabe por que? Simplesmente porque eu não quis escutar a voz da minha intuição. Acontece que só agora, aos quase 42 como já disse, é que estou aprendendo a escutar a intuição e tenho me prometido segui-la a qualquer custo. A intuição nos avisa quando o cara é safado, casado ou complicado demais. A intuição nos diz: “_ Pare de arrumar desculpas para esse cafajeste”. Mas não escutamos, não enxergamos a luz vermelha acesa bem na nossa cara!
Estou começando a viver uma nova história e dessa vez é com um dos “complicados demais”. Já consultei a intuição e até agora está tudo bem... por precaução estou agindo no “amarelo” que significa atenção. Vamos à descrição: divorciado há 5 anos, tem a guarda dos filhos, uma garota de 16 e um garoto de 18. Aparentemente, ainda em luto e com a auto- estima super abalada pelo pé na bunda que levou. A ex, segundo ele, queria ser feliz! Arrumou as malas e se mandou. Ele havia se casado para a vida toda. Sem sombra de dúvidas um homem ferido em seu íntimo! Mas, de jantar em jantar na minha casa, de café da tarde com amigos comuns, de reuniões com amigos meus, churrasco com amigos dele e sessões de cinema, temos nos conhecido melhor. E sabe o que tem sido bom dessa vez? Sinceramente não estou sofrendo. Minha cunhad a que é psicóloga sempre me diz que temos que deixar os relacionamentos se desenvolverem sem criarmos muitas expectativas. Estou tentando seguir a máxima do “não criar expectativas”.
Bem, mas o que isso tem a ver com o título “Os homens e os animais”? Nessa tentativa de não criar expectativas, descobri que meu paquera é uma “TARTARUGA”... lento, devagar nas decisões e ações. Para exercitar a paciência, acho que vou até fazer um estágio no Projeto TAMAR para aprender a lidar com tartarugas. No entanto, percebi que não vejo a hora da tartaruga virar “POLVO” e me envolver em seus tentáculos.

Conclusão: a história de não criar expectativas caiu por terra... olha eu aí esperando a tartaruga virar polvo ou, como diz meu irmão, esperando o dia em que o Pacato (tigre do He-Man) vire Gato Guerreiro (“pelos poderes de Grayskull”).
Ser contraditória talvez esteja em nossa essência de mulher. Me lembrei de um poema que li algum tempo atrás e gostaria de compartilhá-lo com mulheres que, como eu, buscam ser melhores como pessoa e como profissionais e mais felizes e realizadas a cada dia!

VÁRIAS DE MIM
(Silvana Duboc)

Sou assim
Duas de mim
Às vezes três
Quatro... cinco... seis
Sou uma por mês.

Me diversifico
Tem horas que grito
Vivo num conflito
Mostro ao mundo minha dor
Outras horas, só sei falar de amor

A mais romântica
Melodramática
Estática
Chorosa e nervosa
Carente e decadente
Vingativa e inconseqüente

Aí quando menos me percebo
Me transformo em mulher cheia de medo
Cheia de reservas
Coberta de sutilezas
Séria e sem defesa

No minuto seguinte
No papel de mulher fatal
Viro logo a tal
Aí sou dona do mundo
Segura e destemida
Altiva e atrevida.

Rasgo meus segredos ao meio
E exponho num roteiro
De poesia ou texto
Agrido, inflamo

Conto o que ninguém tem coragem de contar
Explico detalhes que é bom nem lembrar
Sou assim
Várias de mim

Sorriso por fora
Angústia toda hora
Por dentro um tormento
No rosto nenhum sofrimento
No corpo uma explosão de prazer
Nos olhos, meu desejo deixo perceber

Melhor nem me conhecer
Fique com minhas letras
Com as minhas palavras
Na vida real sou bem mais complicada

Sou mil
E quem tentou, descobriu
Que viver ao meu lado
É viver dentro de um campo minado
Prestes a explodir
Mas quem esteve nele
Nunca quis fugir

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

TRÊS CASOS DE SEPARAÇÃO

Já estive envolvida, direta ou indiretamente, em alguns processos de separação.
Quando ainda era adolescente, uns 12 ou 13 anos, meus pais se separaram por um período. Por muito tempo apaguei estas memórias .... só tinha alguns frashes na cabeça ... marido ausente, mulher insatisfeita, viagem de férias, briga, mulher pega o carro e vai embora, marido chora e enche a cara no bar, mulher pega as crianças e sai de casa, filha mais velha fica com o pai, descoberta de infidelidade, brigas, tentativas de reconciliação, reconciliação, volta pra casa. Deixei propositalmente tudo fragmentado pra tentar não me envolver, mas hoje, depois dos trinta, posso compreender perfeitamente os sentimentos e as tensões envolvidas. Posso compreender perfeitamente a negligência que levou minha mãe a querer a separação, posso entender também o que ela sentiu quando não a apoiei e fiquei com meu pai e como este fato quebrou nossa relação como um vaso caído da mesa e colado com super blonder .... ainda é um vaso, mas não é a mesma coisa. Não me culpo porque era uma criança, não tinha condições de lidar com tudo aquilo.
Já no final da adolescência, aos 17 anos, comecei a vivenciar situações do casamento daquela que seria minha sogra até hoje. Depois dos anos dourados de casamento (três filhos maravilhosos, bom emprego, dinheiro, mãe dedicada exclusivamente aos filhos, ótimo sexo), começa o período de crise (perca do emprego, aposentadoria prematura, filhos já criados querendo seguir com suas próprias vidas, falta de dinheiro, mulher dando uma guinada na própria vida, marido depressivo se apoiando no alcool para lidar com as situações, filhos que apoiam a mãe e não sabem como ajudar o pai). Não participei dos anos dourados, só ouvi histórias e vi fotos que comprovavam que eles existiram. Quando cheguei a família, o período de crise já estava instalado e eu participei dele por pelo menos 15 anos .... vi de perto um casamento de duas pessoas que se amavam profundamente desde de crianças se deteriorando, vi todos os desencontros, ouvi muitas das brigas, estava presente quando assinaram o papel de separação e acima de tudo, presenciei os três anos de silêncio que se abateram entre estas duas pessoas que ainda se amavam. Três anos após a separação, meu sogro descobriu o câncer. Foi implacável, em quatro meses não havia mais nada a ser feito, já estava em coma há algumas semanas. Mesmo as megeras das cunhadas sabiam o óbvio ... ele não morreria enquanto ela não fosse lá.... mas ela se negava. Foram 65 dias em coma até ela tomar coragem, sua única exigência era que eu fosse com ela. Eu vi um homem em coma chorar e soltar um suspiro ao ouvir a mulher que ele amava dizer que pedia perdão e que também o perdoava. Eu estava em seu enterro no dia seguinte.
O terceiro caso é daquelas amigas que começam a namorar na mesma época que você e os dois casais vão vivendo situações parecidas quase que na mesma época.... namoro, viagens, preparativos pro casamento, jantarzinhos na casa do casal, preparativos para gravidez, batizado e assim por diante. No caso desta amiga, participei ativamente de seus oito anos de namoro e de sua separação do marido após um ano de casamento. Não podia acreditar que ela estava se separando, era como se a sensação de derrota dela fosse minha também pois eu estivera alí todo este tempo e também não fui capaz de prever que não ia dar certo. Como pudemos ser tão cegas? Como pudemos nos enganar desta forma? Como superaríamos aquela situação? Bom, eu sofri com ela, mas ela foi mais forte ... retomou a vida de solteira (sendo que neste momento eu já não me encaixava tão bem pois já era casada) e seguiu em frente. Pra mim só ficou a sensação de derrota, a sensação de que, se aconteceu com ela, poderia acontecer comigo, com qualquer pessoa. Ela seguiu para o segundo casamento, mas desta vez nós não compartilhávamos as mesmas memórias, não tínhamos intimidade com o novo marido, nem mesmo morávamos na mesma cidade. Me conformei, fiquei feliz por ela e a sensação de derrota passou ... até ontem, quando ela ligou dizendo que está se separando pela segunda vez. Mais uma vez, compartilhei a mesma sensação de 10 anos atrás ... a sensação de derrota ... a incredulidade de pensar que, de novo, nós erramos, nós não vimos o que talvez era óbvio, nós acreditamos e fomos traídas. É incrível como tomo pra mim o sentimento que na verdade só pertence a ela. Deve ser isto que defini a amizade.
Bom, após a separação e o luto que ela causa, creio que só resta um estrada a sua frente ... e como diz a propaganda de whisky... KEEP WALKING.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

APAIXONADA AOS 15, 20, 30, 40, 50

Pra falar de paixão, vou ter apelar pra música sertaneja.

CADA VOLTA É UM RECOMEÇO (Zezé di Camargo e Luciano)
Meu coração esquece tudo o que você me fez
E eu volto pra esse amor insano sem pensar em mim
Pra recomeçar já sabendo o fim
Mas é paixão
E essas coisas de paixão não tem explicação
É simplesmente se entregar, deixar acontecer
E eu sempre acabo me envolvendo com você

Nesses desencontros
Eu insisto em te encontrar
Como se eu partisse, já pensando em voltar
Como se no fundo eu não pudesse existir sem ter você
Toda vez que eu volto, eu te vejo sempre igual
Como se a saudade fosse a coisa mais banal
E eu chegando sempre como um louco pra dizer
Que amo você... amo você
Que me leve pela vida o coração
Como versos pra canção
Volto pra você, volto pelo amor
Não importa se é um sonho pelo avesso
Cada volta é um recomeço

Como é bom, mas como dói estar apaixonada. Será que isto muda com a idade? Minhas fontes apontam que sim e que não..... Calma, vou explicar.
Lembro de ter me apaixonado duas vezes na adolescencia e nestas duas vezes eu me apaixonei pelo beijo. Vou explicar: o primeiro garoto estudava na minha sala e as meninas eram louca por ele... eu nunca tinha visto nada de mais... em uma festa de aniversário começamos a conversar e fomos pra um lugar mais escuro .... até então eu estava naquela de ... mal não pode fazer, vamos ver.... quando este garoto finalmente me beijou minha cabeça começou a rodar .... eu sentia que aquele beijo era demais, que tinha algo nele que eu não estava esperando ... quando o beijo acabou eu já tava apaixonada ... totalmente apaixonada. Bom, nos beijamos outras várias vezes por vários meses mas ele nunca quis namorar comigo... e eu fazia a linha...To nem aí, To nem aí, mas no fundo eu tava me matando. Um dia o vi beijando outra menina... chorei pelo menos umas 5 horas seguidas .... acordei inchada e totalmente recuperada. Estava decidida a me apaixonar de novo. A segunda paixão veio uns 2 anos depois ... eu já tinha beijado outros garotos, mas aquela paixão que eu senti não acontecia mais. Numa festa, um rapaz conhecido me chamou pra dançar e começou a tentar me beijar.... eu, de novo, pensei .... Não tenho nada a perder.... ele me beijou e cabum.... de novo.... quase cai na pista .... sai da festa apaixonada.... resumindo a história ... virei minha vida do avesso, fui contra tudo e contra todos e casei com ele.
Uma amiga na casa dos 30 se separou do marido (primeiro e único homem até então) e pela primeira vez saiu com um outro homem. Achei engraçado quando ela me disse que não tinha mesmo certeza que gostava dele.... que tava querendo ter uma experiência e que ele parecia um boa opção, parecia confiável. Bom, lá foi ela pro motel com ele e .... ele a beijou .... ela descreveu que quando ele a beijou ela quase desmaiou ... fazia pelo menos 10 anos que não era beijada daquela maneira, com tanto tesão .... ela me disse que quando deitou na cama já estava apaixonada.... não é a toa que ela é minha amiga ... se apaixona pelo beijo. Bom, resumindo ela é apaixonado pelo cara até hoje mas, detalhe, ele é casado.... aí começa outra história...
Mas o mais surpreendente aconteceu com uma colega de trabalho na casa dos 50 anos.... ela é uma mulher poderosa, bonita, bem sucedida com 2 casamentos e 2 separações no currículo. Todas julgamos que esta mulher é uma rocha, sólida como eram as torres do WTC. Bom, estava sabendo que ela estava de namorado novo e estava feliz por isto, mas quando nos encontramos em um congresso da nossa área, ela estava muito, muito abatida. Me contou que ficou sabendo que ele as vezes se encontrava com outra mulher.... ela ficou tão irada que remeteu os e-mails comprometedores pra deus e todo mundo e ligou pra irmã e pro chefe dele .... literalmente jogou a merda no ventilador. Disse a ela pra relaxar... pra tentar esquecer pelo menos por enquanto e eu e outras amigas a convencemos a sair com a gente. Péssima ideia... chegamos na boate e ela sumiu .... eu a encontrei no banheiro, no chão, com as mãos abraçando os joelhos e quando me abaixei e perguntei o que podia fazer por ela ... ela disse: "Ele não atende meus telefonemas". Neste momento vi que paixão é paixão em qualquer idade .... Conversamos muito, levamos ela pro hotel .... resumindo, ele negou e ela preferiu acreditar eu acho .... a gente chama o cara de OSAMA porque ele abalou as estruturas do WTC. Pra mim, esta amiga continua sendo uma mulher poderosa, mais poderosa agora porque ela ousou se deixar apaixonar. Este acontecimento me deu a oportunidade de ver que ela também é humana, que ela é mulher como todas nós.
Bom, por fim, concluo que paixão é paixão em qualquer idade, talvez seja mais fácil superar o fim da paixão quando se é mais jovem porque sabemos que temos a vida inteira pela frente. A idade talvez nos traga menos capacidade de lidar com o fim da paixão. Na verdade, "estas coisas de paixão não tem explicação" como diz o cancioneiro popular.

domingo, 17 de janeiro de 2010

LIGANDO PARA AS AMIGAS

Sabe aquele conversa .... que a gente tem que cultivar as amizades... que sem amigos a vida é vazia .... bla, bla, bla, bla, bla.... é pura verdade.
Não precisa ser nenhum gênio pra entender ... Tem horas (principalmente depois dos 30) que a gente fica se perguntando se seguiu o caminho certo.... e pensando como seria não ter casado, ter casado com outro, ter tido mais um filho, não ter tido filhos, ter beijado aquele amigo do escritório na festa de final de ano, não ter beijado aquele chato da boate que mordeu sua boca ..... e daí? com quem conversar? como saber? Ligando para as velhas amigas e descobrindo que elas também vivem as mesmas dúvidas.
Bom, nossa história começa em um dia em que a depressão estava dando indícios de estar achando o caminho de volta a este corpo. Resolvi colocar crédito no skipe (estou morando fora do país) e começar a ligar para 4 amigas.
A primeira delas é minha amiga há pelo menos 3 anos. Primeiro amigas no mestrado, ficamos mais íntimas quando descobrimos que estávamos passando por sérias crises no casamento e nos apoiamos uma na outra. Foi como voltar a adolescência e encontrar a melhor amiga... aquela que a gente fica grudada o tempo todo. Sabemos muitos segredos uma da outra .... chamamos nossa amizade de pacto, apenas Pacto .... bom, ela me contou sobre as víboras que trabalham como ela tinham armado uma armadilha ... sobre como seu marido continua distraído em relação a suas necessidades .... sobre a sua angústia diante da impossibilidade de engravidar e da viagem que vai fazer a Paris no próximo mês.
A segunda ligação foi para uma amiga que tem feito parte da minha vida há mais de 16 anos. Nossa amizade é marcada por alguns períodos de separação, de falta de contato, mas isto realmente não importa porque quando nos encontramos metralhamos a falar e contar tudo uma para a outra .... chamamos nossa amizade de Pacto dos Biscoitos de Beverly Hills (não posso explicar porquê, é segredo). Bom, esta amiga está no segundo casamento, com um marido que dá show de bola na cama (segundo ela, claro) mas, pra minha surpresa, ela disse que está considerando a separação, uma vez que o marido é muito introspectivo e não quer compartilhar a vida com ela (bom, sem mencionar o fato dele ter 2 filhas do primeiro casamento e não querer reverter a vasectomia para que ela possa engravidar). Fiquei triste quando ela me disse que já queria ter uma família estruturada, que estava na dúvida entre começar tudo de novo ou simplesmente se contentar com o que tinha .... mas esta minha amiga não se conforma com metades ... é tudo ou nada pra ela ... como ela mesma diz.... "EU NASCI PRA SER FELIZ .... mesmo que eu tenha que dar com a cara no muro... eu prefiro me estrupiar do que viver pela metade". Com esta amiga aprendi que há coisas dentro de uma mulher que são inacessíveis a qualquer homem.... há coisas na alma feminina que só as próprias mulheres podem entender.
A terceira amiga é uma figuraça .... chamo ela de maluquete ....nos conhecemos desde o maternal ..... éramos inimigas na pré-escola .... amiguinhas no primário .... amigas no ensino fundamental .... depois reencontrei-a quando ela fez faculdade com meu marido .... acompanhei todo o namoro, o nascimento da filha dela ainda na faculdade .... o nascimento do segundo filho muito próximo do nascimento do meu .... o nascimento do terceiro filho .... e a separação do marido. Foram períodos de proximidade e distância por causa do trabalho, da mudança de cidade.... mas em 2009 nos reencontramos e ela realmente precisava de alguém pra conversar, assim como eu. Deu-se assim o Pacto de Sangue, como chamamos a nossa amizade. Ela é certamente a pessoa com quem eu mais dou risada na vida .... nós duas juntas nos bastamos ..... nem a gente se aguenta quando estamos juntas..... Bom, na ligação recebi uma notícia bomba ... ela está grávida de um rapaz com quem estava saindo há um ano .... filho número 4.... e disse que estava muito feliz apesar do pai da criança ser uma cabeça de vento. Eu dei aquele sermão do "Eu te disse... eu te disse...." e eu tinha dito mesmo "Fica com ele ... transa com ele ... mas não vai me engravidar dele." Bom, ela vai abrir um novo negócio e mudar de cidade ... creio que este recomeço será bom para ela.
A quarta ligação foi para uma amiga recente, nos conhecemos há apenas 1 ano. Nossa amizade é chamada de Pacto da Cartomante .... vcs podem imaginar o porquê.... fomos juntas a cartomante e a mulher era realmente boa... começou a falar sem parar e acabamos sabendo tudo da vida da outra. Ela tem um filho e é separada.... ama um homem há 4 anos ... detalhe .... só o viu pessoalmente uma vez .... só fala com ele por internet .... ele quer ser monge budista. Bom, eu não entendo ela.... não poderia porque só sei amar o que posso tocar... mas respeito seus devaneios e torço por esta história de amor maluca.
Duas ou três horas depois de começar a ligar, percebi que os sintomas da depressão já tinham passado ... acho que ela chegou perto mas eu estava ocupada tentando entender o universo feminimo ... ela deve ter achado que eu ia demorar muito e foi embora.
Torço pelas minhas amigas, pela felicidade delas da mesma forma que torço pela minha felicidade.
Quero ficar velhinha com elas ao meu lado.




quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

by Arnaldo Jabor

CASAR-SE DE NOVO
Meus Amigos separados não cansam de perguntar como consegui ficar casado 30 anos com a mesma mulher.As mulheres sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo.
Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo.Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário.Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue:Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade.Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento - a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher.Minha esposa, se não me engano está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes que eu.O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.
O segredo no fundo é renovar o casamento e não procurar um casamento novo... e isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal.
De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido. Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial? Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção? Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 kg em um único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo? Faça de conta que você está de caso novo.Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a freqüentar lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo, a maquiagem... Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.Vamos ser honestos: ninguém agüenta a mesma mulher ou o mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas.
Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você, são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração.Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo circuito de amigos.Mas não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso.Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar.Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento.Mas se você se separar sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior.vNão existe essa tal "estabilidade do casamento" nem ela deveria ser almejada.
O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos. A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma "relação estável", mas saber mudar junto.Todo cônjuge precisa evoluir estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer no inicio do casamento.Você faz isso constantemente no trabalho, porque não fazer na própria família?É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.Portanto descubra a nova mulher ou o novo homem que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo interessante par.Tenho certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças.Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

FUI AMANTE DO MEU ATUAL MARIDO


Namorei desde os meus 17 anos o meu primeiro marido. Ele foi também meu primeiro homem. Namoramos por quase 8 anos e ficamos casados apenas 1 ano e meio! Neste meio tempo, o meu marido, então namorado, fez amizade com este que seria meu segundo marido. Ou seja, um me apresentou ao outro. Ele também era casado e tendo a mesma profissão que eu, fui trabalhar com ele, até por sugestão do meu namorado, já que na época estava mesmo atrás de um outro lugar para trabalhar. Tudo ia muito bem e SEMPRE fomos apenas bons amigos (apesar de muita gente achar que não pelo que aconteceu depois... o que é compreensível). No nosso casamento, o meu noivo, que ia se tornar marido, chamou o amigo (meu atual marido) para ser nosso padrinho no civil! Ou seja, para quem se perdeu, o meu segundo marido foi o meu padrinho do primeiro casamento!!!
Pois bem. Perdemos contato neste 1 ano e meio de casamento, já que saí do trabalho para ir trabalhar com meu, agora, marido. Quando estávamos bem mal no casamento, já quase no fim, fui viajar com meus pais, justamente para pensar e para darmos um tempo, para que então, na volta, resolvessemos o que fazer. Eis que nesta viagem, encontro com nosso amigo num puro ato do acaso, do destino, ou talvez esteja tudo escrito... quem sabe? Conversamos, ele me perguntou o que estava acontecendo, já que ficara sabendo de que as coisas entre mim e meu marido não iam bem (essas notícias correm...) e, como estava bêbado, talvez num desejo contido há tempos, como depois me confessou, ele me beijou! Eu, me assustei, mas correspondi. Naquele dia falamos muito de nossas vidas, de nossos casamentos, enfim, ficamos juntos e só. No dia seguinte, a ressaca veio, ele me pediu perdão, disse que nada disso devia ter acontecido e que não queria perder a minha amizade. Eu disse que não aconteceu nada que eu não quisesse, até porque eu não estava bêbada, e nós só tínhamos nos beijado. E confesso que mais de 9 anos depois de estar com um homem só, sentindo-me fracassada no casamento, com a autoestima lá embaixo, ter encontrado alguém que me desejasse e ter beijado outra boca foi muito bom, sim! Não senti nem um pouco de culpa! Enfim, disse que poderíamos continuar amigos, é claro, e... VIDA QUE SEGUE! Voltei pra minha cidade e eu e meu marido decidimos pela separação. Eu não credito muito à minha traição esta nossa separação. Ou seja, creio que mesmo que nada tivesse acontecido na viagem, eu teria optado pela separação por tudo o que estávamos vivendo. Mas, eis que o meu amigo começou a me ligar, ficamos juntos mais vezes, o sexo com ele era infinitamente melhor que com o outro, me senti viva de novo, e quando vi estava sendo sua AMANTE!!! Sim, por um período de 2 anos fui amante de um homem casado. Tivemos muitos fins, muitos pontos finais que viraram vírgulas, até me mudei de cidade por um tempo para fazer um curso na tentativa de afastá-lo de mim, já que dizer não era muito difícil! Ele ia atrás de mim e fizemos muitas loucuras juntos. Os meus sentimentos iam de prazer a culpa em segundos, afinal o papel da amante é deplorável! Tudo o que pensava 'dessas mulheres' estava acontecendo comigo. É muito difícil se ver neste papel. Geralmente, colocamos essas 'vadias' como aquelas destruidoras de lares que fazem tudo isso de propósito. Aquelas mulheres fatais que parece que existem só para isso! E eu sabia que eu não era uma dessas. Eu tinha uma família, pais amorosos, uma boa educação, e no entanto, estava me prestando a esse papel. Terminamos incontáveis vezes e voltamos outras 1000 vezes mais. Na verdade, nos apaixonamos, e cada vez era mais difícil de deixá-lo. Sabia que ele voltava pra casa e isso me matava por dentro. Ele dizia que o casamento não ia bem (qual homem casado não diz isso pra amante?), mas continuava casado. Passado um tempo, comecei a cobrar a sua saída de casa (qual amante não faz isso?). E ele me enrolou por muito tempo, arrumando 1000 desculpas, como todo homem casado. Eu colocava prazos, ele não cumpria. Eu chorava, ele me pedia mais tempo, até porque ele tem duas filhas, o que tornava a situação ainda mais complicada. Enfim, fazendo curta uma longa história, nunca mais nos separamos!!! Ele largou tudo pra ficar comigo! Separou-se da mulher após 2 anos, e nos casamos após 5 anos daquele primeiro beijo. Fui amante por 2 anos e 'namoramos' por mais 3... No total estamos juntos há 10 anos! Não me arrependo de nada e também não dou a mínima para quem me rotula como vagabunda... Só a gente sabe o que passa, o que vive e como as coisas vão acontecendo em nossas vidas. Com isso, aprendi a não julgar ninguém. Como já disse Lulu Santos: "Deixa ser pelo coração, se é loucura, então, melhor não ter razão..." Depois eu volto pra contar como é ser madrasta, já que, como disse, ele veio com o kit completo: duas filhas!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

by Marta Medeiros

Pudim

Não há nada que me deixe mais frustradado que pedir Pudim de sobremesa, contar os minutos até ele chegare aí ver o garçom colocar na minha frenteum pedacinho minúscula do meu pudim preferido.Uma só.Quanto mais sofisticado o restaurante,menor a porção da sobremesa.Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência,comprar um pudim bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantasvezes a gente quiser,sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. A vida anda cheia de meias porções,de prazeres meia-boca,de aventuras pela metade.A gente sai pra jantar, mas come pouco.Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual,mas tem que fingir que é difícil(a imensa maioria das mulherescontinua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado,mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta. Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá,mas se obriga a ir malhar.E por aí vai. Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar',tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...Aí a vida vai ficando sem tempero,politicamente corretae existencialmente sem-graça,enquanto a gente vai ficando melancolicamentesem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.Deixar de lado a régua,o compasso,a bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerentee não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.Recusar prazeres incompletos e meias porções. Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebeloue disse uma frase mais ou menos assim:'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'.... Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores,vários beijos bem dados,a água batendo sem pressa no corpo,o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.Um dia. Não tem que ser agora.Por isso, garçom, por favor, me traga:um pudim inteiroum sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order',uma caixa de trufas bem maciase o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente.OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago .